Antes do Rock, o Cinema gaúcho deu suas esporadas.

Teixerinha, nosso Elvis.

Assisti um Documentário da RBS, de 1985, sobre  a história e a atualidade do cinema no RS. Indicação do amigo Ernesto Seidl. Era em um momento que ameaçava o cinema gaúcho deslanchar, com os novos diretores, temática pertinente e uma estrutura que dava os primeiros passos para se organizar como empresa, nos moldes modernos da indústria do audiovisual que existe hoje. Os cinemeiros gaúchos tinham problemas que, atualmente, foram trocados por novos, mas estavam muito empolgados com o momento que viviam. Já tinham aparecido até as primeiras brigas com a divisão dos lucros das produções. Rolava uma crítica sobre os argumentos escolhidos e épocas ambientadas, já que um dos maiores sucessos daquela retomada era um filme que retratava a juventude da geração anterior, o 8mm Deu Pra Ti Anos 70. Tinham os modernos e os cabeças. As dificuldades técnicas resolvidas na base da força de vontade, fita adesiva e arame, foram superadas pelas novas tecnologias e mídias mais baratas e disponíveis democraticamente. Agora basta ter dinheiro saber escolher as traquitanas. Antes, haviam barreiras oficiais que deixam as de hoje parecendo piada. A diferença segue sendo a mão de obra que o dinheiro compra e a veiculação/distribuição. Produzir é fácil. O problema é ser assistido, creio. Vi que muitos do que estão alí, fora os da Casa de Cinema que estava nascendo, foram parar totalmente na publicidade, onde hoje são grandes diretores. Outros sumiram como protagonistas. Achei que deram pouco espaço para o Teixerinha (e nenhum para o Gino de LaVuska, que fazia cinema em 8mm em Venâncio nos 60s/70s, segundo contavam os mais expertinhos da minha época), nosso Elvis, que fez música e cinema, com um pé no folclore e o outro em um jato da Varig. De tempos em tempos surge um Verdes Anos, entre outros filmes contemporâneos e conterrâneos, dando novo fôlego e/ou esperança do cinema como sucesso de crítica e público, com temática relevante e com relativa qualidade técnica. Agora, com a lei do audiovisual, obrigando os canais a exibirem mais conteúdo nacional creio que vai melhorar. A própria Globo já está terceirizando a produção, já que não consegue suprir seus muitos canais.
Ananda Apple, Giba “The Doors” Assis Brasil, Flávia Moraes e Otto Guerra, o primeiro Nerd gaúcho, são pérolas da juventude de outros tempos que aparecem no doc.

Salvem o São Jorge.

Segunda começa o ano do dragão, no calendário chinês. O tempo sempre foi uma medida arbitrária de reis, papas, astrólogos e feiticeiros, baseada nos ciclos da natureza, estes que insistem em não obedecer ao poder dominante, por mais que ele tape o sol com cortinas, peneiras, lentes coloridas ou distorcidas. É sempre interessante fazer marcas pelo caminho, para começar, para terminar ou, simplesmente, para não se perder. Ironias do tempo e da história contados pela humanidade, enquanto uma nação comunista virou museu, outra se tornou a próxima economia do mundo e, em breve, dando as cartas. Aliás, já dá. Baralhos, computadores e quase tudo mais que a sociedade de consumo, como direi, consome, vem de um país, vejam só, comunista. Vá explicar isso a quem entrou em coma nos anos 50 e acordou agora? Já tem livro sobre o declínio do poder ocidental e o novo nascer do sol no oriente. Quem sabe, um dia, o nosso calendário, bem mais jovem, vire uma curiosidade mitológica, sincretismo exotérico, como é o milenar chinês para muitos ocidentais. São Jorge pode cair do cavalo ou fazer amizade, além de negócios, com o dragão.

Atendimento prioritário para grávidas.

Imagem Me contaram que a Wanessa ganhou o processo contra o Rafinha. Além de ser uma baita bobagem levada a sério, estranhei mesmo foi o tempo recorde deste trâmite. Quem tem ou teve sua pasta no casco deste réptil, sabe da sua agilidade com a maioria dos brasileiros. Muitos com pendências muito mais graves que uma piada infeliz, improvisada e de gosto duvidoso. Parece que o jabuti, desta vez, foi de jatinho. Fica no ar se este bólido foi público ou particular. Me desculpem se acredito que não devam existir privilégios na justiça, quando estas não são urgências inquestionáveis. Uma máquina que funciona não precisa de empurrão. Um dos princípios do Estado de Direito é a igualdade do cidadão perante a lei. Criar atalhos ou juizados e delegacias especiais, como costumam chamar gambiarras, é só uma nova forma de dar o velho jeitinho naquilo que não funciona como deve, para salvar o seu e deixar do jeito que está o resto. E, o que resta, é a maioria. Por favor, não simplifiquem confundindo ineficiência, privilégios e corrupção com meritocracia x cotas.

Quando o sistema só funciona bem para ele mesmo, para privilegiados e o inaceitável vira normalidade, tem algo bem errado. Com a gente, o cidadão comum e de bem.

Amor superficial ou incondicional?

Esta nota eu vejo direto no Face. Belas palavras que falam sobre o tal “amor verdadeiro”. Sobre aceitar as diferenças, vendo muito além da aparência. Mas, por falar em verdade, poquê não usaram uma mulher de meia idade para ilustrar e um homem comum? A imagem do casal, em preto e branco, é um homem com o modelo ideal da publicidade convencional e, a mulher, é uma jovem “gordinha”, em uma posição que lhe favorece em apelo sexual? Primeiro que, muito possivelmente e em breve, o cara não vai conseguir mais pegar no colo alguém como a modelo que, ainda em idade de produzir colágeno, já está com sobrepeso. Não confundir ter atração por superficialidade e preferir certo tipo físico, com amor incondicional a quem não ama nem o templo da sua própria alma. O que é o tal “saber amar” é, também, zelar pela saúde e bem estar do seu par. Ser relapso, só porquê tem atração por obesidade ou anorexia e para não ser inconveniente com seu objeto de adoração é que é sacanagem. Se relacionar com alguém fora do padrão das capas de revista não é pecado, como também é perfeitamente normal se sentir atraído por uma estátua grega. A vida não é um anúncio de cerveja. Afinal, boa parte da realidade de um relacionamento é uma percepção muito pessoal, cultural, duradoura ou momentânea, motivada por coisas que vão muito além do físico. Cada um na sua, mas não me venha com lição de vida disfarçando apologia ao desleixo.

Taxi pra inglês ver.

Falei da minha idéia de montar uma frota turística de Fuscas Taxi, como tínhamos até os 80s, para rodarem a partir da Copa? Pois, se não, deixo registrado aqui para processar quem utilizar, sem minha autorização ou sociedade, esta girico’s idea. Entre tantos turistas que receberemos, ingleses, britânicos mesmo ou dos bares do Bom Fim e Cidade Baixa, imagino que adorariam passear na nossa versão retrô de carros de praça icônicos, como existem em muitas capitais. Modelos imitando os antigos, em Londres ou, verdadeiramente exóticos de Bangcoc, fazem a diversão dos passageiros e viajantes. Deveriam rodar o mais originais possível pela legislação, com a pintura clássica, do tom laranja que parece vermelho e/ou do vermelho que parece laranja e aqueles taxímetros analógicos cromados, tipo “capelinha”. Devidamente aferidos pelo Imetro, claro. E, exagerando na reconstituição histórica, para relembrar um tempo que ainda, desafortunadamente, não se foi na sua motivação prática, alguns podem até ter aquelas cabines de segurança para os motoristas. Mudou a trilha sonora, mas todos poderiam seguir ouvindo a Rádio Gaúcha (a fonte da informação) e, tradicionalmente, dando seu parecer sobre qualquer assunto ao turista. Quase mais a esquerda que o Mendelski e o Diego Casa Grande. Se bem que isso seria um desserviço, propaganda negativa para o turismo e ao discernimento médio. Brincadeiras a parte, até que não seria má idéia ver alguns fuscas reformados, rodando novamente pelas ruas da capital gaúcha, como taxis turísticos.

Para ilustrar a nota, usei as miniaturas que o Cridê faz.

Voltando pilhado.

Na volta do recesso, dois trabalhos da Super foram pras ruas. A campanha de verão do Totosinho e os já tradicionais ônibus adesivados da SOGAL. Em ambos, a modelagem 3D das ilustrações foram realizados pela mais nova integrante da equipe, a Bruna Marques.

A copa é nossa!

A copa é do mundo, é nossa ou é da Fifa? Estamos ha mais de mês em um impasse aqui na agência sobre um trabalho que envolve o tema. Os donos da bola podem ou não cobrar pra usar um expressão de domínio público como Copa do Mundo? Uma coisa é usar uma marca, com identidade gráfica registrada  comercialmente, sem autorização. Outra é mensionar o evento esportivo global, como texto, com o intuito de divulgação até. Cuidado ao pedir uma copa, para comer com vinho. Na conta, pode vir um extra, pro Blatter e sua turma de cartolas.

Escrito nas estrelas ou o oráculo do contâiner.

Mais um sábado para tirar o lixo aqui de casa. Às vezes precisamos de muitos dias de faxina e, com eles, algumas verificações para não pôr fora a criança, juto com a água do banho, como se dizia. O achado, foi como encontrar a caixa preta de um vôo instável, perdido em meio a tudo aquilo que, temos a impressão de guardar  só porquê o descartaremos bem na véspera de precisarmos. Era um velho radiogravador com uma fita K7 dentro. O próprio aparelho daria um causo, mas o conteúdo da antiga mídia era mais inspirador para uma crônica.

Resolvi ouvir aquilo, de curioso, antes de descartar com outro monte de entulhos. Era outro tipo de estorvo. Do tipo que, para livrar-se, depende também do próprio resíduo o qual, as vezes, não colabora muito. Dificultando pela inércia de seu volume ou pelas pontas afiadas de seus cacos. Resiste ou não sabe da redenção pela reciclagem. Foi reveladora a descoberta. Descurtina a técnica de quem interpreta um oráculo como um mapa astral, usando uma mistura de exoteria, psicanálise, empiria e boa dose de suposição. Ou seria a ciência criada por Sigmund baseada na, bem mais antiga, astrologia e outros métodos de ler oráculos? Fazer livres ou orientadas associações de vetores, como simples vísceras de animais dispostas ao suposto acaso, a complexos cálculos matemáticos das configurações de planetas do nosso sistema conhecido? E, de alguém que pode estar entendendo tudo do seu, simbolicamente não menos antigo, jeito de interpretar o que vê ou o que lhe dizem?  Quem conhece a história e o ser humano sabe que nenhuma resposta está errada.
Não conheço ninguém que tenha procurado um vidente por estar tão satisfeito com sua vida ou seu momento, que gostaria de saber quando isso acaba. Nunca conheci realmente ou não reconheço mais a pessoa que falava, não só pela má qualidade da gravação mas, principalmente, pela sua escolha em ser uma fiel reprodução dos ruídos que a acompanham, desde a sua origem e das vozes que ecoam na sua cabeça. Nítido mesmo, é que se trata de alguém sentindo-se incapaz ou impotente para decidir, no meio de um impasse, em uma encruzilhada, diante de um ponto de mudança, colocado de fronte a um desafio ou de algo que, tanto pode ser uma oportunidade de sucesso, quanto um desastre eminente. A crença no destino sendo antevisto, se não reconforta, para muitos, consola. Alguém que, não encontrando em si, procura ou delega a outros indivíduos ou elementos a solução. No caso, os corpos celestes, sendo traduzidos por outro ser. Sem julgar quem pratica, consulta, acredita, desacredita, ignora ou tem curiosidade no assunto como eu, o astrólogo, gurú ou conselheiro na gravação, imagino, fazia o relato do que supostamente lia nos cálculos astrológico-zodiacais. O cliente, crente, ouvia, conversava e, de certo modo, munia o seu guia para as próximas interpretações e revelações. Desnudava seus desejos e outras coisas da sua vida e personalidade, sem distinguir realidade de percepção. Aquelas coisas que só se fala, quando se confia muito no seu confidente. Ou se têm eletrodos nas extremidades. Ou, ainda, se nada mais importa naquele momento. Claro como a simplicidade de uma letra de música sertaneja atual, outra pista para quem pretende adivinhar para ajudar o cliente ou, simplesmente, iludir o momentaneamente fragilizado consultante. Mais um dos muitos mistérios e antagonismos do universo. Creio que o guia alí não era do mal e parecia mesmo querer acertar e ajudar a cliente. As vezes, só se consegue isso impressionando-o, com um belo templo ou com algum encantamento menos tangível, como uma adivinhação.

Lá pelas tantas, eu já estava fazendo a parte do misto de adivinho com observador, usando um certo conhecimento adquirido na vida e na informação científica da psicologia da minha profissão. E, porquê não, meus conceitos e preconceitos. Das conversas e interpretações, me chamaram a atenção as repetidas vezes que se falava, naquela sessão, em coisas como”matar o pai”. A mãe metade vítima, metade megera. E a frase de auto-ajuda, “confiar no seu taco”. Daí me ocorre que, como pode dar boi na linha, entender o que quer e fazer o que consegue, a partir de um conselho ou de uma analogia. As vezes, tentando ajudar, a gente superestima a cognição dos outros ou nossa capacidade de expressão. Acabar com a figura paterna é um desejo da criança, que na sociedade não matriarcal é a autoridade pela força, física ou não. Mas também ela pode ser o arrimo da conduta legal, ética e moral do indivíduo e do grupo. Eliminar isso pode, não significar se libertar de apêndices desnecessários, mas também acabar com um importante bom exemplo ou modelo que se têm. Em um mundo comandado por crianças, não duraria muito a brincadeira. Pode ser também, que a vítima e megera sejam, o reflexo da própria pessoa, que viveu sobre essa influência, que tanto pode ser mãe quanto madrasta. Que se confunda a figura paterna com as coisas fortes que os vilões têm. É a megera que põe para baixo as pessoas, minando a auto-confiança, a confiança nos outros e não o poder paterno, o qual dá limites, pois estes são a garantia de uma convivência harmônica ou minimamente civilizada. A vítima tanto pode ser alguém incapaz de não se submeter, tanto quanto alguém que se submete, a qualquer preço, pelo seu conforto ou seu entendimento do que lhe convém. Confiar no taco é bem mais complexo que a simples pseudosegurança da soberba ou o orgulho de fazer tudo da sua maneira. Fazer isso, cegamente, só tem em comum com a boa conduta, o antídoto da compensação para aquilo que só quem tenta pode ter, a chance de errar, na contrapartida de conseguir. A confiança nas suas escolhas faz do dono do taco, da bola ou do campinho, um superfaturador de seus pontos, legislador de suas regras, avaliador dos resultados e dos métodos empregados. Mesmo os irracionais. Autoconfiança sem base, geralmente, leva a ignorar, subestimar e, pior, a tercerizar as razões do seu eventual fracasso ou dos seus relativos enganos. De qualquer maneira, muitos bons exemplos de pais morreriam mesmo, de vergonha, pelo que seus filhos fazem. Sucumbindo as más influências e não entendendo o que as estrelas queriam dizer.
Porém, como o universo está em expansão, só restando a dúvida para a ciência da velocidade disto, tudo pode mudar e, inclusive, o nosso planeta pode nem ser redondo. Boa parte da graça está na falta das certezas, por mais que isso nos atucane, faça a gente procurar respostas, juntar tralhas e troféus nesta nossa jornada ao pó.

Café com os diretores.

Conheci ha pouco o Instituto NT, aqui em Porto Alegre, em uma reunião com clientes da agência. Na Marquês do Pombal, 1111, ao lado do Hospital Militar, o centro cultural tem Cinema e um Café em um espaço ao ar livre muito bacana. O casarão, tombado pelo patrimônio, é um show a parte. Confiram aqui a programação.

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