Aqui mulher não paga. Lá, paga-se com elas.
Bastante raro, na patrulha do politicamente correto, protestarem contra “gentilezas” como, por exemplo, as mulheres pagarem menos ou terem ingresso grátis em certos eventos e festas. Não raro é o fazer vista grossa a manutenção das regalias da cultura machista e não arcar com o ônus da equiparação entre os gêneros. Estatisticamente, se sabe que mulheres têm renda menor, afrodescendentes, menos ainda. Mas, esta, é outra batalha na guerra pela igualdade. Macho, adulto, branco e sem renda de comando, não têm cota nem arrêgo. Pagam inteira ou trocam de festa. A lei Maria da Penha, então, é um cavalheirismo que coloca a Constituição na lama, para algumas passarem sobre a poça no caminho dos demais. Mas este é um outro papo, recorrente por aqui.
Já, na parte analfabeta do Afeganistão e das escrituras ao pé da letra, confundem muito além da conta quando se fala na valorização feminina. Veja a reportagem sobre jovem afegã pagando por terceiros.


Enquanto as mulheres continuarem recebendo menos, mesmo tendo a mesma graduação, fazendo mesmo serviço e em igual carga horária, acho válido as “gentilezas” sim.
O que não dá para aceitar é que o macho de lá (parte analfabeta do Afeganistão) e de outros lugares também, não resolvam suas pendências com seus desafetos, mas simplesmente se utilizem de crianças inocentes como escudos, pois na reportagem citada, trata-se de uma menina de 10 anos sendo utilizada como moeda. Parece que já existem leis proibindo essa prática, mas como em outros lugares, de alfabetizados inclusive, o dinheiro é que dita as regras.
Tá bom. Vou continuar abrindo portas, deixando damas passarem primeiro e me preocupar com todo o tipo de injustiçados ou em situação desumana, sem distinguir religião, sexo ou estado civil. O barco avariado é de todos e não vejo razão pra coletes exclusivos. Diferente das questões que buscam soluções nas controversas cotas, pode-se resolver em pouco tempo, sem o sacrifício de gerações. Basta tirar o lixo, desejar e, principalmente, buscar correção para a coletividade e não apenas para grupos específicos. Essa cultura do jeitinho e do privilégio nos distancia da solução.
Porém, em um desejo machista, quero que meu tempo de preparação, experiência e expediente renda, proporcionalmente, o mesmo que o venipalmente vencimento de um alto funcionário de algum poder público, por exemplo. Pode ser até de uma juíza. Não tenho preconceitos muito graves de gênero.