Participação especial

Durante o Atacama Moto Trip 2018, em novembro passado, encontramos muitos motociclistas viajando pelo caminho, em grupo como nós ou solo. Um destes foi um casal de brasileiros, de Minas Gerais creio, que falamos brevemente num posto de gasolina e na aduana do Chile. Um pessoal super simpático.
Hoje fui dar uma olhada no canal deles, o Viagens de Motoboy. Daí deparei com nossa participação, na subida da cordilheira, trancados num congestionamento andino.
 
 
#AtacamaMotoTrip2018
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Primeiramente, gostaria de agradecer…

Nunca se pode esquecer aqueles que, de uma forma ou outra, contribuíram para a realização deste projeto.

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A camaradagem pede carona

Camaradagem. Esse é uma marca em uma viagem de moto. Pelo caminho vamos encontrando situações e pessoas que contribuem, até espontaneamente, para uma experiência mais completa.
A motocicleta, como outros meios menos convencionais ou diferenciados, tem seus simpatizantes, que entendem exatamente que tipo de viagem é, imaginam ou idealizam. Os que admiram tua “coragem”, desejam fazer isso um dia ou, também conhecem o prazer (e algumas dificuldades) desse tipo de aventura turística. A marca, cilindrada e quantas estrelas tem o hotel pouco importam. Nem seu portunhol.
Em postos de gasolina, pelas vias, outros grupos ou indivíduos prontos a contribuir no seu roteiro, solucionar alguma questão ampla ou pontual. Aquele viajante experiente, o cara que pede pra tirar foto ou, sai do ônibus de excursão e vem perguntar… de onde vocês vieram e até onde vão?
Aí alguns registros, mas houveram muito mais.

Inicia a volta

Saindo de San Salvador de Jujuy em direção ao chaco argentino, iniciamos o retorno. Conhecido por seu tipo de clima, similar ao verão no Rio Grande do Sul, tivemos sorte de estar ligeiramente nublado e com vento para amenizar. A primeira parada, foi em Monte Quemado, no início de uma reta sem fim na Ruta 16, onde uma parte bem ruim da autopista e uma tempestade no horizonte nos fez parar um pouco antes do que havíamos previsto. A tempestade atingiu a localidade na madrugada, com bastante força. As motocicletas estavam como saídas de uma competição fora-de-estrada, de sujas pela intempérie. Na manhã seguinte, já sem chuva, partimos em direção a Resistência e Corrientes, cidades separadas por uma ponte muito grande sobre, novamente, o rio Paraná. Seguimos pelo chaco até Ita-Ibaté, uma pequena cidade as margens do rio, que forma uma paisagem muito legal e um paraíso para pescadores. Muitos brasileiros, como os donos da pousada que se dedica a esse público na alta temporada nos informou. Até uma mini loja com materiais de pesca a pousada contava. Simples, mas aconchegante e prática, para quem curte a pesca esportiva. No alto de uma barranca, a vista é privilegiada. Se chegava a beira do rio, onde ficam as lanchas da pousada, por uma escadaria. No restaurante, pedimos pratos com os peixes locais na janta. Na manhã seguinte, após o desajuno, seguimos. Agora a parada final seria o mesmo posto, em Venâncio Aires, via fronteira por São Borja e a bela estrada na região de Santiago, a gaúcha. De volta ao pago com muitos causos pra relembrar.

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Paso de Jama a Jujuy

Segue o espetáculo depois de passar pela aduana e estar de volta ao lado Argentino dos Andes. Nos disseram que era bonito, mas acho que subestimamos. Chamou a tenção, além de alguns guanacos, o número de mulas soltas. Imaginei que seriam “escravos libertos” dos tempops da mineração feita na base da tração animal. Geralmente, dessa parte da viagem, as pessoas falam mais dos salares, mas as montanhas coloridas são bem impressionantes na região de Purmamarca, (uma cidadezinha semelhante a San Pedro, mas menos conhecida e menos desértica que, como nos disseram outros motociclistas, vale muito uma parada) onde há um “caracole” menos famoso, mas incrível em diversos sentidos. Ultrapassagens a 20 km/h. Por sorte, a maioria dos veículos não anda muito rápido, pelo traçado da rodovia, ziguezageando a montanha, a inclinação do terreno, o efeito da altitude e, a os muitos caminhões, andando e parados, por problemas mecânicos devido ao relevo. Aqui, na parte da subida gigante e com efeito da altitude, as motos começam a ter um desempenho, não de uma Cinquentinha, mas de uma Garelli, pra quem lembra. Terminada a subida, as coisas voltam a ficar normais, mas a paisagem segue incrível na descida, no sentido de San Salvador de Jujuy, que também é o nome da província. A vegetação e a paisagem aos poucos deixa de ser desértica e de altitude, pra ser mais de vale, serrana. Seria nossa próxima parada. Na manhã seguinte, novamente seria necessário verificar os raios da minha moto. Na busca por quem fizesse isso, num sábado, eu e o Pretto conhecemos um pouco mais da cidade, que é bem interessante. Também conversamos com locais, o que é sempre bacana numa viagem.

Após o conserto (na Argentina têm e, ainda, se fabrica raios!!!), no início da tarde, partimos em direção ao chaco argentino. Começava oficialmente a volta.

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Deixando San Pedro

Ao sair de San Pedro de Atacama, o vulcão Licanbur, sempre presente no horizonte do povoado, começa a ficar mais próximo. A vegetação começa a mudar e variar rapidamente. Numa curva, aparecem finalmente as Lhamas e Guanacos que até então só estavam nos artigos que vendiam ao turistas como nós e nos cartazes os quais, infelizmente, informavam que estes animais nativos livres estavam em extinção no norte do Chile. (Segundo ativistas, uma matança desses animais está sendo promovida no altiplano, para fins de consumo, comércio e rituais religiosos.) Já tínhamos visto, furtivamente, os zorros, os pequenos lobos do deserto, além de lagartos, mas esses animais estão no imaginário. Uma coisa que chamou atenção é que, nas partes mais áridas, nossas viseiras ficavam limpas, pela ausência de insetos. Como base da cadeia, pássaros e mamíferos também eram difíceis de serem avistados. Em direção ao Paso de Jama, que nos levaria novamente a Argentina pelos Andes, a paisagem dá outro espetáculo. É o maior frio e altitude que pegamos. A vegetação e fauna reaparecem, com direito flamincos, salinas e lagos congelados nas bordas, como o  topo dos picos, nevados. De longe, as salinas se confundem com neve. Aqui foi a parte que mais sentimos a altitude, assim como as nossas motocicletas, que viraram motonetas. E, nós, pessoas que acabaram de sair de uma maratona, pela sensação de esforço, apenas por caminhar nas paradas. É aquela sensação da fraqueza por estar muito tempo sem comer, da respiração ofegante e certa tontura, foi o que senti. Fiquei imaginando os vários montanhistas que ainda vão mais longe. Estacionam na estrada, no Chile e seguem a pé, até a Bolívia, onde está o vulcão mais próximo. A fronteira dos dois países, assim como a aduana, é bem próxima. Na aduana entre Chile e Argentina, tudo tranquilo e paramos em um posto da YPF, para abastecer e fazer um lanche. Lá encontramos outro grupo de motociclistas argentinos, todos de BMW GS 800 e 1200, com os quais conversamos e também nos deram dicas. Um grupo de cabras, que não eram dos Bodes do Asfalto, caminhavam livremente entre as bombas.

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