Moça viajada

Lea Riek rodou o mundo com sua motocicleta e escolheu uma foto sua em La Mano del Desierto, na região do Atacama no Chile, como capa do seu livro, “Uma mulher. Uma moto. Um mundo”.
E não faltam belas fotos nos registros de viagem nas redes sociais da jornalista alemã de 33 anos.

#AtacamaMotoTrip2018

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Tudo muda. Nem os conservadores se conservam os mesmos.

Certa vez uma frase circulou nas redes, definindo o Inferno como um lugar onde todas coisas vergonhosas que você publicou seriam colocados num telão, pra todos verem.
Antigamente seriam as coisas que se faz escondido.

Pois, a mais recente vítima deste purgatório em rede, é aquela jovem professora catarinense (seriam eles os novos gaúchos?), no momento, deputada recém eleita pelo, até aqui, PSL. Atingiu o top trend quando “incentivou” alunos gravarem os seus professores em sala de aula, como ferramenta pra fiscalizar o que poderia ser a tal da doutrinação de esquerda e ou partidária. Um SOE invertido. Daí, no telão que expõe o backup da vida, foram resgatadas pérolas da jovem que, como quase todo neoconservador, na verdade, é uma pessoa desmemoriada (efeito do abuso de alguma substância?) ou tem fé na incapacidade das pessoas que não concordam incondicionalmente com elas. Em resumo, um jovem que não lembra o que fez na juventude.

No Drive In de magma incandescente, voltou ao cartaz, fotos suas, enquanto ensinando numa escola, com a camiseta de um candidato, com um partido. O seu, atualmente. Neste portal aberto, exumaram frases tão reveladoras como as de Nostradamus, confessando seus sonhos e dúvidas juvenis. Numa delas afirmava que queria ganhar muito dinheiro e, disposta a aprender, questionando se alguém sabia como se faz isso, sem se esforçar muito. Realizou ambos, dizem seu detratores. Está hoje em uma função legislativa.
Na prática, tem se destacado mais como fiscal do comportamento alheio. Se este era outro desejo, deveria ter estudado mais, tomado mais Ritalina, como sugere noutras postagens escavadas e passado num concurso pra Juiz. Essa conquista, nesta sua missão, lhe daria o poder de julgar, também nas leis dos homens, a conduta dos demais.

Consta que, na função paga pela sociedade, inclusive recebeu por dias onde não trabalhou, afirmam levantamentos de suas diárias. Aguardemos pra não condenar sem provas os novos moralizadores.

Muito conhecida por posar de virgem em drogas, diversos posts de sua outra vida têm essa contradição temática, deixando imaginar que ela tinha outra fixação. Ou, vai ver, queria atrair outro tipo de atenção e público. A esperteza é a nova inteligência.

Todo mundo muda, mas nem todos evoluem. Por isso o Criacionismo é coisa de conservador. As vezes, do nada ou do exatamente o contraditório, se cria sua própria realidade e reputação. O tempo e as circunstâncias martelam e/ou lapidam. Até os conservadores não se conservam os mesmos.

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Só não se faça de vítima. Da moda.

Existem modas, tendências massificadas que a gente se dá conta que passaram do ponto, que eram muito ridículas, uma afronta ao bom senso, em algumas décadas ou em cem dias.

Mas sempre tem a resistência, quem insista, por exemplo, numa pochete. E nem precisa mudar a estampa.
E tem desculpa pra qualquer tipo e biotipo de pessoa. Porque é prática, porque a outra bolsa que tinha na loja era uma capanga, porque a moda sempre volta, porque irrita as pessoas que eu detesto, que nem gosto muito, mas tem um clube de pocheteiros muito legais…

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Aqueles que amam odiar, quem sabe, só precisem de Sprite. No olho.

“A campanha publicitária ‘I Love You Hater’, produzida pela Sprite (na Argentina) em parceria com a agência Santo, divulgou um novo vídeo. Neste capítulo, um hater argentino é levado a uma sala com mais de 100 vítimas de suas postagens ofensivas, que estão estampadas nas camisetas dos participantes. De acordo com o comercial, só no ano passado, o garoto agrediu 565 pessoas em mais de 1000 tweets.
Não é possível afirmar com certeza se a situação reproduzida é totalmente real, mas não deixa de ser uma bela campanha, com um objetivo claro: reduzir a onda de ódio nas redes sociais”.
(fonte: Olhar Digital)

Hater

No final da matéria da Olhar Digital, em um tipo de segunda quebra de expectativa do anúncio, diz que não adiantou muito, pois o personagem (ou a pessoa que inspirou o personagem) poucos dias depois voltou a atacar nas redes, inclusive pessoas que participaram do comercial. Talvez a figura real não precise só de amor, como diz a famosa música dos Beatles. Quem sabe assistir diversas vezes esse anúncio, pingando Sprite no olho, como nesta outra referência famosa?

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Vem ver bichinho!

Como definiu o canal Meteoro, animações são vistas por muitas crianças apenas como desenhos divertidos. Os mais ligados ou os adultos, podem sacar as mensagens, muitas delas nos detalhes e no sub texto.
Dois exemplos, muito influenciadas pelas safra de animações maluco-cabeça, são as brasileiras como O Irmão do Jorel e Oswaldo, o pinguim de óculos, que passam no Cartoon Network.

Esse episódio aí tem como gancho o tal Teste Vocacional, mas trata de coisas bem interessantes como empoderar e disputar poder, auto avaliação e, até, ter nascido ou não pra certas coisas.

Deuses e demônios na terra dos Ervais

Os Bandeirantes, outros mercenários e paus-mandados, em sua época, ignorados o genocídio e outros crimes que foram reescritos mas nunca caducaram, de longe e especificamente, também podem ter cometido barbárie contra outro tipo de patrimônio. Ao acabarem, na força, as Missões Jesuíticas, matando outros seres humanos, com o agravante moral que eram tecnicamente também cristãos, no combo da barbárie, destruíram a “pesquisa” que jesuítas faziam com uma planta estimulante, que descobriram por mãos dos nativos sul americanos, a erva-mate. O Caá-Yaríi pros indígenas, o Ilex Paguayensis pros estudiosos e alguma Marca pro consumidor, era uma das tantas culturas domesticadas e manipuladas nestas comunidades. Hoje, uma filosofia, um hábito, um produto cultural, uma grande indústria e fonte de renda também.

Segundo o jornalista e divulgador da pesquisa historiográfica, Eduardo “Peninha” Bueno, em seu canal no Youtube, o Buenas Ideias, afirma que podem ter se perdido muito material relevante, além de vidas e arte. Com ajuda dos “internos”, cultivavam e faziam melhoramentos, por cruzamento e seleção artificial, das variações da planta.
Tudo é discutível, como poderia ser outra experimentação, as próprias reduções jesuíticas, um experimento social meio idealista, meio colonial, desautorizado politicamente pela própria igreja católica, esta que em 1773 estava onde neocristão sonham estar até o final de 2019. Dominando todos os aspectos da vida do cidadão. Para isso, o Vaticano fazia os acordos que precisavam ser feitos para seu projeto de poder, compartilhado com reinos na terra, apontando os demônios e infernos aos seu rebanho, que não tem só gente da sua fé.
Mas voltemos a outro amargo, o mate. As missões eram um universo, baseado na cultura cristã ocidental, que fazia o que fazem entidades como a Embrapa ou a PUC originalmente. Era um tipo de cristianismo cultural, mas com algum nível de respeito a cultura indígena prática, essa que proporcionou que europeus, ignorantes em sobrevivencialismo nos biomas do novo mundo, não fossem exterminados por meios naturais. Assim como um smartphone não vai salvar a gente num colapso ambiental, o aço das espadas e a pólvora não eram rivais a altura das durezas da natureza no seu tipo de esplendor. Incrível e assustador numa medida bem específica. O inferno verde dos desbravadores, é o paraíso de refúgio de muito homem moderno. Nem que seja “o verde amargo que me faz bem”.
Como um tapa de luva no desejo de domínio, mais de 500 anos depois de tantas tentativas bárbaras ou maquiavelicamente metódicas, ainda temos comunidades, idiomas, costumes desta cultura que se pretendia convertida ou dizimada bem vivas e nos ajudando a sobreviver. Tomar um mate não deixa de ser uma conversão e uma conversa entre cultura oprimida e a opressora.

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