Ora bolhas

16864965_1202792549834465_2401035974375272105_nFoi o tempo em que “falar mal” de alguém ou de alguma coisa somente prejudicava esse objeto. A publicidade, o marketing político e a fofoca se reinventaram por conta disso.
Má fama ou valores polêmicos, também alimentam a celebridade. Bolsonaro tem eleitores e o goleiro Bruno, recém libertado, têm namorada e propostas de trabalho. E, com certeza, esse público têm suas motivações “racionais” ou, até, do bem.
Hoje pode surtir o efeito inverso divulgar qualquer conteúdo ou conceito, com era no tempo das “aldeias” geográficas e das fronteiras físicas. Elas viraram as “bolhas” nas redes sociais, as quais só se comunicam entre elas por filtros e só se alimentam com o que se identificam.
Há pouco escutava dois estudiosos discutindo sobre o assunto na TV, que não confirmei os créditos. Uma notícia falsa não se espalha, apenas porque alguém cria o fato e usa espertamente um sistema de transmissão mas, ela ganha divulgação espontânea e exponencial, também por quem sabe que essa informação é falsa. Verdadeira ou nem tanto, com valores positivos ou negativos, para uma importante parcela dos replicadores, não importa realmente. Importa esse conteúdo compartilhado, de alguma forma, “fundamentar” o ponto de vista, a crença e/ou o preconceito próprio ou de seus pares.
Isso inclui todos nós.

Quando o preconceito fez bem ao mundo

17156159_1207537596026627_2548558661109545557_nPor volta de 1938 a física austríaca Lise Meiter teve que fugir da Alemanha as pressas, deixando seus trabalhos no campo da fissão nuclear com seus colegas, entre eles, Otto Hahn, no Instituto Kaiser Wilhelm de Berlim. Não exatamente por ser mulher, mas por ser judia, já que há décadas fazia parte do primeiro time de pesquisas. Genial e discreta, não incomodava os jalecos-alfa. Especula-se que, se ela continuasse na equipe que seguiu voluntariosamente trabalhando para o nacional-socialismo fascista-delirante, os nazistas teriam conseguido canalizar o potencial da pesquisa, seu poder bélico incomparável. Com o desfalque de seu verdadeiro craque, os Aliados tomaram a dianteira. Bola fora dos então governantes alemães. (Bem, pouco depois, nas mãos certas, todo mundo sabe no que deu também.)
Em um segunda fase desse preconceito, deram a seus antigos colegas o Prêmio Nobel de Química, em 1944, um comitê já não muito dado a premiar fêmeas, por estes terem sonegado seu nome nas pesquisas e terem negado que suas descobertas fundamentais sobre os efeitos da “reação em cadeia”, que mudaram o rumo dos estudos e deram o pulo do gato do trabalho.
De uma forma torta, o preconceito acabou evitando uma, literalmente, bomba muito maior.
Passado o episódio obscuro, mas muito a conquistar, seu trabalho foi plenamente reconhecido, bem como seu alerta do que poderia acontecer com esse poderoso recurso nas mãos erradas.

Atrasando a hora do café

17190371_1208899022557151_1166678934319676349_nEstas imagens do café sendo queimado para tentar conter a queda dos preços na Bolsas foi muito marcante pra mim nas aulas de História.

Sem nem precisar pensar muito, até porque isso é repetido há gerações, por sermos um país que tem seu PIB amarrado a produtos brutos, sem muito valor agregado, mesmo muito tempo depois da revolução industrial, sofremos muita instabilidade. A Guerra dos Farrapos foi por conta do Charque, o Império caiu por conta da produção baseada na “mão de obra gratuita”, crise do protecionismo com o suco de laranja brasileiro e assim foram, crises detonadas por modos de produção ou mercados dependentes de certos tipos de anacronismos, monoculturas ou monopólios.

Muitas coisas interessantes ou renovadoras, que não mudariam ou surgiriam de outra forma que não em crises tb aconteceram mas, imaginem nosso PIB com alguma mudança muito rápida, muito típico da nossa era, que derrube a Soja como derrubou os engenhos de açúcar, o café, o cacau, a borracha ou, por último, as outrora todas-poderosas operadoras de telefonia?

No caso dessas últimas, parecem que vão queimar é o dinheiro dos nossos impostos para, bem mais difícil que conter as bolsas, parar os relógios. Ironicamente, se não fosse picaretagem, para salvar-nos daquilo que, a privatização do setor nos incríveis anos 90, já nos tinha salvo.

Atolados

17103515_1206512162795837_5321113171703725889_nNo Globo Rural agora há pouco mostrou os atoleiros que o escoamento da super safra de soja está tentando transpor entre a lavoura e os portos.
 
No início da era do café como maior commoditie brasileiro, não havia a alternativa dos super caminhões e nem mesmo das estradas de terra, um rico liberal da época, com seus próprios recursos e captação de financiamento/parcerias no exterior, construiu sua ferrovia entre, os centros coletores e os portos. Também construiu seus portos e centros coletores. No lugar de apenas colocar no governo, no caso o Império, um representante dos seus interesses, ele investiu e foi atrás de solução. Mais ou menos como era e continua sendo nos países desenvolvidos. O governo é mais um parceiro (bem enrolado, é verdade) obrigatório que o cara que vai solucionar tudo.
Falta infra estrutura, mas também faltam Barões de Mauá.
E, me parece, que como no caos da Saúde, se criou um sistema de soluções paralelas muito rentável, diversificado e que emprega muita gente. Inclusive políticos vivendo e dependentes que essa capenguisse siga assim. Desde o caminhoneiro, a indústria de fabricação de silos, até o cara que vende água mineral no atoleiro, são modos de vida derivados, em grande parte, deste modo de operar e de superar com o que se pode os obstáculos. Alguns naturais e, outros, de papel.
Se uma ferrovia, na ponta do lápis seria o mais racional, desconfio que o óbvio não acontece, nem com os Secretários e Ministros da Agricultura serem representantes do agronegócio da monocultura há diversos mandatos, por motivos que podem ser, interesses conflitantes ou, que o pensamento sofisticado e capacidade de ganhar muito dinheiro nem sempre andam juntas, dependendo do ambiente. Suor e esperteza podem se confundir em um lugar onde nem todo o primitivismo, no sentido da enjambração e da lei do mais forte, foi civilizado.
Carl Marx já falava disso quando questionava (e por isso foi demonizado) que as coisas não são de certa maneira injustas pra maioria só “porque a sociedade é assim”. O modo produtivo de 5% da população não são a sociedade. Muitas coisas mudaram desde então, mas algumas coisas seguem por não termos Marx, Mauá, Trevithick, etc… cooperando em equilíbrio.

O Lada 4×4 e o Pão de Queijo 2×1

17103620_1204442676336119_8838353933551301563_nA lista de reembolsos que é pedida por nossos Deputados todo o ano é um show.

O site Congresso em Foco há duas, que a Band tb destacou, que são curiosas. O deputado gaúcho Afonso Motta (PDT) apresentou comprovantes pra devolução de 184 mil Reais e de 1 Real. A deputada pernambucana Luciana Santos (PCdoB) pede o ressarcimento de um total de 604 abastecimentos de combustível.
O curioso pra mim foi…onde o Afonso conseguiu comprar 2 Pães de Queijo por 1 Pila??? Os 184 paus eu sei onde dá pra torrar. Com e sem nota.
E, a deputada da esquerda, deve ter um Lada Niva, Made In URSS, que roda o dia inteiro sem quebrar (ou um Ômega australiano, outro hit beberrão dos anos 90, esse, importado pelo governo brasileiro de então como carros oficiais). Afinal, dão quase duas abastecidas por dia em um ano!!!

foi pro saco

mimi
No meu tempo de guri, não tinha mimimi. Era só mimi mesmo.

Todos os ossos que nunca quebrei foram por conta dele. E não foi por falta de tentativas. Meu anjo da guarda era o cálcio e muita sorte. O leite era tipo C mesmo, que vinha ensacado da Padaria do Ledo, enrolado em jornal, com um pão dágua no combo.
Antes disso, o leite só tinha um atravessador, o leiteiro. E ele entregava de charrete lá em casa, assim como o padeiro, “Delivery” do mesmo Ledo Borba. Depois, começou a vir de Belina. Com uma torneira na lataria, muito antes das Kombis das cervejarias artesanais. Durou um tempo, até que não se pode mais vender laticínios tão diretamente das vacas. Foi tudo pro saco. Mais tarde, pra caixinha.
A marca dos gatos ainda existe, agora com um desenho dos bovinos na embalagem. Intolerância com os bichanos da minha infância! Uma época em que gato, preso dentro de casa, só na geladeira. Gatos nunca tiveram dono porém, na Venâncio daquela época, os felinos eram compartilhados com toda a vizinhança. Menos com quem criava passarinho. Estes emplumados e canóros animais, se vivessem todos tanto como papagaios, não teriam saudades daqueles tempos. Gaiolas, bodoques e armas de pressão eram brinquedos de crianças e adultos.
Voltando ao invólucro do leite, certa feita, os usei como luvas de goleiro. Rendeu, como ao cara que distribuía de caminhão a marca na cidade, o apelido de Mimi. (por sorte, logo esqueceram) Se não virei um bom goleiro, também foi por conta desse laticínio. Pior que um descoordenado, é um descoordenado com sacos “de matéria” nas mãos. Como colorada devia saber que, Manga e leite, não se mistura.

missões

14479581_1047879491992439_7747087305472522609_nOs Separatistas me lembraram das Reduções Jusuíticas, também no sul do Brasil. Bem geridos, tutelados e respeitadas algumas particularidades culturais, mesmo nativos, podem colaborar em uma civilização nos moldes europeus. Como no Haiti ou Cuba bem depois, quem sabe não seja, justamente, o fato da experiência que contrariava a ideologia hegemônica dando certo, não era realmente o problema das Coroas com as Missões? No caso delas, não contavam estar instaladas tão isoladas e, ainda assim, entre interesses de grandes potências e, mais especificamente, entraves em arranjos imperiais, de sub-interesses e poderes paralelos institucionalizados. (Por incrível que pareça, um ateu como eu, acabaria por escolher o lado da Cia. de Jesus.) Mas, voltando a questão na qual vejo algum semelhança com separatismos, vendo o caso, nota-se que não mudaram muito os meandros da política, seus arranjos, acordos, andares e instâncias. Assim como não mudaram muito as soluções discutíveis/plêmicas para a diversidade em tempos de adversidades.